Caro (a) amigo (a)
O decurso do tempo é inexorável e ele dá-nos conta que já estamos na segunda década do século XXI.
Por esta razão, enquanto presidente da federação do PS do distrito de Setúbal não posso deixar de me dirigir a todos os camaradas e simpatizantes do nosso partido, desejando-lhes, bem como às respectivas famílias, os maiores êxitos pessoais, profissionais e políticos, neste ano de 2010.
Do ponto de vista político o ano iniciou-se com a apresentação do orçamento do Estado, que reflecte uma subida do défice para um valor elevado, 9,3 %, o que atesta, no essencial, que o governo teve de recorrer a verbas mais elevadas do dinheiro de todos nós, para responder à crise, onerando as despesas sem naturais contrapartidas do lado das receitas. A diminuição da procura externa fez agravar várias dívidas, incluindo a pública e a quebra da confiança internacional, com óbvias repercussões na confiança interna e na escassez de liquidez fez crescer o desemprego para valores também muito elevados, pela quebra do investimento e do fraco crescimento do P.I.B.
A situação económico-financeira não é assim nada fácil e o quadro político, apresentando uma grave deterioração no maior partido da oposição, o PSD, e a manutenção de concepções conservadoras ou populistas à esquerda do PS não facilitam a ideia, e menos os esforços, que os partidos deveriam prosseguir, para a consensualização de desígnios nacionais tão necessários à superação da crise.
A actual situação mais justifica que, enquanto socialistas reforcemos assim as nossas responsabilidades, individuais e colectivas, sustentadas em princípios e em valores que têm de assentar nas causas que são a razão de ser do nosso partido. Um partido da esquerda democrática, logo tolerante, com concepções universalistas sobre a defesa da igualdade de oportunidades e de género, da justa repartição da riqueza e consciente do papel do Estado e da regulação da economia de mercado.
Um partido que não pode renegar o ideário que o informa, nem o debate das ideias e que coloca a política no comando, sendo a economia um instrumento desta e não um fim.
Que não haja dúvidas. Neste mundo incerto e complexo, que vive uma crise que é estrutural e não meramente conjuntural, o reforço dos ideários dos partidos em geral e do PS em particular são a pedra de toque da esperança porque tudo o resto virá por acréscimo.
É que um partido não é nem pode ser, sobretudo agora, um instrumento para o carreirismo dos que neles são filiados mas, pelo contrário tem e deve ser um elemento determinante para a consciencialização do espírito de servir a causa pública.
Neste ano de 2010, em que se comemoram os 100 anos de passagem da 1.ª república é necessário que os militantes do PS se revejam na conduta daqueles velhos republicanos que exerceram a actividade politica e o poder com elevada honradez e rectidão.
Aproximando-se as eleições internas para as concelhias e para as secções encorajo assim os militantes que se candidatem a que o façam procurando elevar o debate das ideias, para que através dele, desbravamos novos caminhos para a recriação da esperança no futuro.
Todos somos responsáveis.
Seguindo o nosso e velho princípio de que só é vencido quem desiste de lutar como afirmava Jaime Cortesão devemos, todos, ousar reabrir esses caminhos de esperança contribuindo para a fixação de objectivos mobilizadores do eleitorado. Esses objectivos passam pela credibilização da política e dos políticos, e assim pelo combate firme aos desvios da honradez e da rectidão, envolvendo a coerência e o orgulho de se ser militante socialista e agindo pelo exemplo. Tão simples como isso.
O resto, repito, virá por acréscimo, porque esta postura, aproximando-nos dos cidadãos em geral, alimentará a confiança e esta reforçará os desígnios comuns e os objectivos que são os do povo português.
Com a fraterna solidariedade do,
Vítor Ramalho
Presidente da Federação