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| Diálogo abertos |
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| > Qual é a posição da Federação relativamente à renúncia do presidente Carlos Sousa e do vereador Aranha Figueira da Câmara de Setúbal? |
R – Ambos os eleitos integraram a lista da CDU que, como se sabe, elegeu 4 elementos. Sendo um do Partido Ecologista os Verdes e 3 do P.C.P..
O P.C.P., ao exigir a renúncia ao Presidente da Câmara a ao principal vereador, fez sair mais de metade dos seus eleitos, que só são três do P.C.P.. Não tendo a CDU maioria absoluta na Câmara, é óbvio que a forma seguida para as renúncias é inaceitável.
Em primeiro lugar, porque os eleitos da oposição na Câmara, que são a maioria, foram em absoluto apanhados de surpresa. Isto é grave porque traduz desrespeito pela oposição e pela lei que protege o direito à informação que o P.C.P. tanto reclama na Assembleia da Republica.
Em segundo lugar porque é lamentavel que as renúncias tivessem ocorrido na praça pública, sem que a própria instituição Camarária o soubesse, com o P.C.P. a substituir-se à Câmara e aos eleitores, pondo e dispondo como entende.
Em terceiro lugar, uma vez que fica sem se compreender o facto de Carlos Sousa ter renunciado para uma data posterior ao anúncio publico e Aranha Figueiredo para outra data posterior.
A especulação a que isso se prestou, alegadamente relacionada com a defesa própria de reformas, não é aceitável.
Em quarto lugar porque não foi prestada qualquer explicação aos eleitores que forem queira-se ou não se queira, quem elegeu o Presidente Carlos Sousa e não qualquer outro. Já lá vai o tempo em que os presidentes de Câmara eram nomeados.
Em quinto lugar porque as eleições autárquicas são muito diferentes das eleições legislativas. Nestas só os partidos políticos podem apresentar candidaturas. Isso não sucede com as eleições autárquicas que podem organizar listas de cidadãos, sucedendo até que estrangeiros residentes em Portugal podem votar e ser eleitos em regime de reciprocidade com os países de que são originários.
O P.C.P. ao sustentar o direito de retirar e nomear quem entender para as Câmaras, contando que integrados nas suas listas, está a colocar em desigualdade as listas de cidadãos que não têm as estruturas partidárias e não podem agir como os partidos.
Quer isto dizer que independentemente da questão da legalidade, o procedimento do P.C.P. é ética e politicamente condenável. E tanto mais condenável quanto é certo que está há cinco anos a dirigir a Câmara e vem agora dizer que a culpa do que sucedeu é do P.S.! O P.C.P. “esquece-se” de adiantar que o P.S., quando esteve no poder, na Câmara, fez obra, que está à vista de todos. A dívida actual da Câmara não tem paralelo com o passado, apesar do anterior Governo do P.S.D. ter feito um acordo de reequilibro financeiro com o P.C.P. em que entraram para os cofres deste milhões de euros. Onde está a obra?
A Federação lamenta que um partido no caso o P.C.P., que se reclama de esquerda, tenha tido este comportamento de enorme desrespeito perante os eleitores.
E por isso, não pode deixar de o denunciar, alertando a população para a recriação da imagem, da nova e nomeada presidente, em substituição de Carlos Sousa, também este gravemente desrespeitado.
Pergunta-se – afinal que explicação dá o P.C.P. ?
O P.S. , que se desenganem os que pensam o contrário, está preparado para qualquer cenário no futuro da Câmara. |
| > Não acha que nos dias de hoje a importância dos partidos é pequena? |
Não tenho nada essa ideia. Pelo contrário, o que sucede é que o mundo mudou muito nos últimos anos, com a queda do muro que era bipolar. Hoje é unipolar e globalizado. Estamos a viver um novo período, sem que haja contornos claros do que aí vem no futuro. Tudo está em mudança. É por essa razão que os partidos políticos têm hoje uma enorme responsabilidade em contribuírem para a clarificação do futuro. Isso só se faz com valores e com princípios, cuidando muito do debate das ideias e do ideario. Ora, não vejo que outras estruturas possam dar maior contributo para o ideario, com reforço de causas, do que os partidos políticos. Esse trabalho é da responsabilidade de todos os militantes, sem excepção.
No fundo o partido, no que respeita ao P.S. somos todos nós. Daí que as nossas acções, quando somos militantes devem ser sempre conduzidas na lógica da credibilização do partido a que pertencemos e nunca ao contrário.
Infelizmente isso muitas vezes não sucede e não é positivo. Contribui para o divórcio entre cidadãos, os políticos e a política. Temos de inverter este estado de coisas. Tudo depende de todos nós – repito. |
| > Acha que as estruturas locais, secções e concelhias podem viver com os poucos recursos que têm? |
| Não acho. Mas para além das secções e concelhias há que acrescentar as próprias federações. É útil que na próxima alteração dos estatutos se proceda a uma revisão que supere as dificuldades existentes. |
| > Tenciona apresentar alguma moção ao próximo Congresso? |
| É um direito e um dever de qualquer militante contribuir para o debate de ideias no interior do partido. Pela minha parte acho que será útil que dê o meu contributo alargado ao maior número de delegados, que se revejam nela, para que se reforce a valorização do distrito, dos militantes e naturalmente da Federação. Estou a trabalhar para esse objectivo, a partir de uma moção sectorial. |
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