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Artigo de opinião
06 Julho 2010
Carlos Martins

É possível ao Socialismo Democrático ultrapassar as crises e MUDANDO vencer o Liberalismo Conservador que apenas quer liquidar o modelo de paz e equidade social que foi construído na Europa durante mais de sessenta anos

1 – Saibamos Admitir Três Pressupostos Importantes:

. os Governos do PS iniciados em 2005, obtiveram assinaláveis mudanças e significativas reformas: no equilíbrio das contas públicas e no combate ao déficite, na Educação, na Saúde, na reforma da Segurança Social e nas Leis laborais, na reforma da AP e nas medidas Simplex, no combate à pobreza e ao isolamento dos idosos, no plano tecnológico, nas energias renováveis, nas novas oportunidades, na reforma do parque escolar e assinalaram-se vitórias progressistas nos domínios da interrupção voluntária da gravidez ou da possibilidade de união entre pessoas do mesmo sexo, o Tratado de Lisboa. Em cinco anos o país tornou-se mais moderno, sem perder a noção da coesão social e a necessidade de caminhar em frente por uma sociedade mais capaz de fazer opções e escolher.

. já se entende que os resultados terão sido bem mais inferiores, na Justiça, nos desequilíbrios sociais que se têm agravado, na incapacidade de explicar, motivar e envolver os cidadão em torno de ideias comuns. Nos exemplos que não foram dados aos cidadãos de racionalidade, de competência, humildade democrática, serviço devotado à causa pública e rigor que os vários poderes onde intervieram Socialistas ou outros protagonistas que em seu nome têm manchado o nome de um Partido que sempre serviu o Povo, havendo histórias várias de autoritarismos, abusos e excessos que não deviam sentir-se numa sociedade livre, democrática e solidária, servida pelos ideais do Socialismo Democrático.

. nestes tempos  em que correram nuvens negras que enrolaram todo um percurso que, como visto, teve aspectos muito positivos, são as várias crises, a agiotagem e os roubos a nível nacional e internacional, a pouca presença da Europa em pensamento e acção e a falta de Política com visão e futuro, não contribuíram, antes prejudicaram, o encontrar de saídas e soluções mais justas e ao serviço de quem é menos favorecido . A Política e os políticos deram prioridade ao jogo dos interesses económicos e enredaram-se num concubinato perigosíssimo com uma comunicação social que tem hoje uma força acima de qualquer escrutínio, constrói e sobretudo destrói a verdade ou a mentira, conforme sopram os ventos.

O PARTIDO SOCIALISTA NO PODER, NA GOVERNAÇÂO DO PAÍS TEM ESTADO, PARA O BEM E PARA O MAL, NÃO ACIMA, NÃO ABAIXO, MAS NO MEIO DE TUDO ISTO! NÃO ESTÁ ISENTO DE RESPONSABILIDADES E TERÁ DE ASSUMI-LAS, NÃO DE MODO DERROTADO, MAS COM A NOBREZA DE QUEM RECONHECENDO OS ERROS, ESTÁ LIVRE PARA PENSAR O FUTURO!

E agora o que fazer, como sair deste labirinto, terá este beco saída para os Socialistas?

2 -  Devemos Confrontar-nos com Algumas Regras de Base e Reflectir para Seguir em Frente:

. as crises estão a fazer-nos mudar, a política, a vida económica e social, as pessoas, as organizações e também os Partidos.

. nos Partidos temos de reaprender a mobilizar e a inovar, acreditando que cada um de nós tem de contribuir para a mudança, só assim o País ou  a Europa trocarão de rumo. O modo como evoluirá a Europa será determinante, mas tal determinação só acontecerá com cada um e cada uma, palmo a palmo, influenciando e alterando atitudes e comportamentos.

. é preciso muito mais debate, encontrar novos paradigmas, outros horizontes. Tem de voltar-se ao pensamento político, há formação política para encontrar novas respostas para novos desafios.

. ser contra os dogmatismo: do “exercício cíclico do poder”, que só existe porque ao longo da governação não se discute a prática dos valores políticos quando em execução. Ora, não tem havido suficiente discussão no PS porque se está no poder, deveria ser exactamente o oposto, é quando se têm de tomar medidas e por vezes duras é que importaria aprofundar a raiz, a dimensão política, social e económica dos actos e explicar tornando claro para o povo porque se traçam uns objectivos e não outros ou da “histórica organização partidária em que o Secretário-Geral do Partido é o natural candidato Chefe do Governo”. Estes dogmatismos e outros devem deixar os ser, discutir-se, contra uma tradição que amarra a um situacionismo ultrapassado e não liberta o pensamento.

. o Partido não pode continuar a confundir-se com o Governo. O Partido Socialista no Governo ou na Oposição terá sempre de ser contra, marcar a diferença e nunca prescindir das ideias, “engavetá-las”, por considerar não existirem condições. Quando assim se capitula, a derrota poderá ser adiada, mas será uma inevitabilidade.

3 – O PS tem de Estar Preparado e Perceber que há Problemas a Resolver de Modo Novo:

. existem hoje bloqueamentos muito sérios: na qualificação e na produtividade dos portugueses mas também no tipo e qualidade da governação

. temos uma Europa fraca face às exigências do Mundo Global

. foram tomadas inúmeras medidas que dão o privilégio ao combate ao descontrolo financeiro

. há uma MUDANÇA que não se pode adiar e que implica ir à estrutura, ao osso, ao difícil:

   O QUE QUEREMOS COMO PAÍS, bem explicado, envolvendo e motivando as pessoas
   QUE CAMINHOS DEVEMOS SEGUIR
   TEMOS DE NOS ORGANIZAR DOUTRO MODO


Rever o Sistema Político e também a organização Partidária
Tecnologia e qualificação, mas aplicadas a um Projecto a uma Ideia
O que fica e como se (re)organiza o Estado Central, Regional e Local
Que RH e lideranças temos para o futuro
Com que meios financeiros poderemos contar

4 – Que Partido Socialista Gostaríamos. Que Princípios Muito Simples

Socialismo é mudança, é reinvenção, é procura de novos paradigmas, novos modelos de organização social. Bastaria um Partido Socialista que em Liberdade, em Democracia, em Solidariedade contribuísse para reconstruir os nossos modos de vida e as nossas ambições, educando, com segurança, com saúde, com justiça, com equidade social, cultivando a vida saudável e com qualidade.

5 – Que Governo Gostaríamos. Apenas o Essencial

Um Governo que separasse a política dos interesses económicos e financeiros e não caísse no facilitismo da “poeira dos dias” , da publicidade enganosa e da vertigem de uma comunicação social que castra para vender espuma.

Que se ficasse pela educação e pela formação, pela saúde, pela solidariedade social, pela justiça e pela segurança.

Planeasse com rigor, competência e sabedoria alguns (não muitos) objectivos executáveis, afectasse os meios e os recursos possíveis e suficientes.

Estabelecesse compromissos, exigisse o seu cumprimento e prestasse contas transparentes e em tempo.

Prometesse pouco, cumprisse e fizesse CONNOSCO o possível, mas com bases seguras para que se evitasse a rotina e o desperdício dos eternos recomeços.

Carlos Martins

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